“Me mata de orgulho, Brasil!”
Está certo que já passaram alguns dias, mas não poderia deixar em branco.
O assunto é BBB, mais um reality show.
Sei bem que muitos vão ler e dizer torcendo o nariz“... vindo da onde vem era de se esperar.”
Aí é que eu discordo. Também nunca fui muito fã destes programas, mas nesta edição tenho acompanhado porque, querendo ou não, estamos sendo representados por lá.
Depois desse programa nossa imagem pode melhorar ou decair de vez. É só se assumir gay em alguma rodinha que lá vem algum assunto sobre a conduta de algum dos participantes homossexuais do BBB.
Não, não sou defensora ferrenha de atividades 100% filosofais. Todos exercemos nosso direito a futilidade, assistindo BBB ou jogando “Colheita Feliz” no Orkut. Reservo minha parte para acompanhar o reality show.
E em um desses momentos “panis at circenses” acompanhei a participante Angélica, vulgo Morango. E o que eu pude ver foi um festival catastrófico de como é ser uma SAPA.
Lembrando sempre que o comportamento deles está sendo avaliado por um público curioso. (Leia-se: homofóbicos, retrógrados, pseudo-religiosos e toda a corja.)
Infelizmente Angélica confirmou as expectativas do pessoal do “Sapatão é tudo sem educação.” Na festa que aconteceu no sábado passado (Festa Minuano) a participante Morango bebeu todas e mais algumas e saiu beijando e agarrando, à força, todos os participantes. No “A à Z do Mau Comportamento Sáfico” ela não deixou de colocar em prática nenhum capítulo. Rolou de tudo, de lutinhas até “encoxadas” nos meninos e meninas.
Na letra F de Fora, que ela tomou da Cacau a tentar beijá-la a força, nossa modelo lés em evidência, Morango, surta e começa a agredir a colega com chutes nas costas e pedradas de gelo. Lamentável sua conduta.
Isso é só uma notinha do que a mocinha aprontou. A sorte foi a edição do programa ter sido bem legal, pois não mostrou realmente os eventos caóticos causados por ela, acompanhados em tempo real pelos espectadores do pay-per-view.
Fico eu a imaginar, minha mãe está viajando, passando férias na casa de uma tia, que, até então, não sabia da minha sapiência. Pude imaginar minha mãe contando para minha tia a novidade e ela, com cabeça interiorana, tendo a Morango como a única referencia gay, imaginando o que eu faço por aí. Já viu, né! Satanás perdeu seu trono no inferno para mim e todas as sapas do mundo.
Enfim, não estou aqui para julgar ou atirar pedra em ninguém. Muito menos a pessoas que tem o mesmo modo de viver que eu. Nem para ser hipócrita e dizer que nunca bebi um pouco a mais e fiz besteira. Sim, eu já fiz, mas isso tem lugar e hora.
Só acho que é por causa destes deslizes é que muitas vezes não somos respeitados. Não conseguimos vencer o preconceito e fazer valer direitos básicos nossos. Como vamos conseguir constituir família, ter filhos, adotar se assim o quisermos dessa maneira?
Acha mesmo que acreditaram que podemos dar bons exemplos aos nossos filhos?
Desculpem-me este desabafo.
Acredito que se foi dado esta chance de entramos em um programa de tanta audiência
(sendo fútil ou não) teríamos que mostrar quem somos e a que viemos. E não mostrar que tudo é festa do tipo sexo, drogas e rock roll ...
E a nossa representante, Angélica Morango, não está mostrando o lado positivo de ser GLS (desculpe, não me acostumo com a LGBTT). Faltou um pouco de consciência coletiva e sobrou individualidade.
Mas não podemos apontar o dedo sem antes olhar para dentro de nós mesmo. Nossa conduta do dia-a-dia, seja dentro ou fora de um programa de tv, é a verdadeira vitrine do nosso modo de vida para o mundo hetero.
Claro que não devemos viver nossa vida sob o olhar de uma sociedade, mas até que tenhamos nossos direitos reconhecidos façamos, sim, nossa parte!
Ser gay não descaracteriza nosso direito de cidadão.
Mostremos que somos pessoas como qualquer outra, que trabalhamos e buscamos de maneira honesta um futuro melhor. Divertimos-nos muito, mas também pagamos nossas contas. Temos sonhos, somos pessoas normais e nossa opção sexual não nos faz menos capaz de ter uma família e dar bons exemplos.
Dar bons exemplos, isso é dizer um não ao preconceito e um sim aos nossos direitos básicos de cidadão. Dar bons exemplos nas oportunidades que nos são dadas.
Uma pena, Angélica...
Beijos da Batom










